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Gestão lean é aliada na incorporação do ESG ao cotidiano das empresas

Flávio Augusto Picchi
Gestão lean é aliada na incorporação do ESG ao cotidiano das empresas
A estratégia contribui para que as práticas sociais, ambientais e de governança cheguem a todos na empresa, de forma prática e profunda

A estratégia contribui para que as práticas sociais, ambientais e de governança cheguem a todos na empresa, de forma prática e profunda



A sigla ESG, das expressõesenvironmental, social e governance (ambiental, social e governança, em português), tem ganhado cada dia mais atenção no meio corporativo. E isso é muito bom. Num mundo cada vez mais desafiador, é importante inserir na agenda das empresas, de forma mais sistemática, essa abordagem do ESG que, em resumo, gera ações em prol do meio ambiente, de causas sociais e da governança responsável e ética.

Direcionar uma organização nesse sentido sempre foi, é e será estratégico e importante, para que a organização cumpra seu papel na sociedade e demonstre seu compromisso, impactando positivamente na sua credibilidade e nos negócios. Com isso, vem crescendo o número de empresas com iniciativas ESG. Mas mesmo as mais engajadas encontram dificuldades para fazer com que essa determinação estratégica da alta direção chegue até as bases e seja praticada por todos.

Para isso, é necessário inserir as preocupações do ESG na gestão. Ou seja, garantindo que tudo o que a companhia fizer será também com foco nessas questões.

O sistema lean tem uma estrutura de gestão que, se colocada em prática da forma correta, pode levar a empresa nesse caminho ao incorporar essas preocupações nas mentalidades, atitudes e nas práticas organizacionais, dando capilaridade ao ESG na companhia.

Vejamos quanto à questão ambiental: uma das essências lean é a busca pela eliminação de desperdícios. Pode-se dizer que “lean” (a própria palavra, “enxuto”) é uma metáfora dessa busca de eliminar tudo o que não é importante, que não agrega valor.

Ao se colocar isso em prática em todos os processos que ocorrem numa organização, os ganhos ambientais ficam evidentes. Com os elevados ganhos de produtividade decorrentes do lean, recursos, em geral, de diversas naturezas, são economizados. Equipamentos são mais bem aproveitados. Matérias-primas são poupadas. O consumo de energia elétrica, água e combustível é reduzido. Ao se colocar isso em prática de forma cotidiana, o impacto ambiental negativo é cada dia menor.

Com relação às preocupações sociais, outra base lean é o respeito às pessoas, que precisa ser a base, tanto da mentalidade quanto das atitudes cotidianas de líderes e liderados. Isso também exerce um efeito social, porque essa forma de pensar precisa ser direcionada para todos os públicos da organização, internos ou externos. E quando se tem respeito profundo às pessoas como base de mentalidade, “ser lean” se torna sinônimo de ser coerente (por exemplo, apoiando causas sociais relevantes que possam melhorar os contextos das organizações e das pessoas que nela estão inseridas).

No que se refere à questão da governança, existem hoje conceitos e práticas avançadas específicas quanto a esse aspecto, que são aplicadas pelas empresas. A gestão lean pode fazê-las se disseminar de forma estruturada e sólida por toda a companhia. Por exemplo, com práticas como o hoshin kanri, que consegue promover um desdobramento concreto e preciso das estratégias por toda a organização, num processo participativo que exige elevado grau de transparência. Essa transparência fica ainda maior quando esse desdobramento de ações e objetivos se apoia no gerenciamento diário, que conecta as equipes e seu desempenho à estratégia.

Claro que há muitas maneiras de se garantir que o ESG ocorra, permeando toda a organização. É importante saber que a gestão lean também pode contribuir para que esses valores e práticas ocorram no dia a dia, chegando a todos de forma prática e profunda.

Publicado em 10/08/2022

Autor

Flávio Augusto Picchi
Presidente do Lean Institute Brasil.