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Lean na saúde: buscando o cuidado perfeito

Lean na saúde: buscando o cuidado perfeito

Há cerca de seis anos escrevemos nosso primeiro lean mail focalizado na Saúde. Mostramos que essa seria uma das prioridades nossas nos anos seguintes, pois esse já era, então, um problema sério no Brasil.

De lá para cá, temos testemunhado a expansão do movimento lean na saúde em todo o mundo. E um interesse crescente no país também. Atualmente, temos dezenas de hospitais iniciando as suas jornadas lean no momento certo, pois a insatisfação da população com a saúde no país é o principal motivo de queixa com relação a uma política pública.

Para contribuir para a geração e disseminação do conhecimento lean na saúde, temos a grata satisfação de disponibilizar nossa publicação “Em busca do cuidado perfeito – aplicando lean na saúde”, de autoria do Dr. Carlos Frederico Pinto, obra pioneira desse oncologista, que tem transformado as práticas de sua rede de clínicas de tratamento de câncer.



A maior parte da discussão sobre a resolução dos problemas de saúde tem passado pela demanda por maiores recursos.

O livro do Dr. Fred mostra outro caminho. Com os mesmos recursos, tem sido possível conseguir em suas clínicas, no Vale do Paraíba – SP, uma dramática redução dos desperdícios de recursos através da gestão lean.

Com isso, a rede de clínicas conseguiu, por exemplo, quase triplicar o volume de atendimento no tratamento de câncerem alguns casos, aumentando a produtividade, a qualidade e a segurança no atendimento, enfrentando a demanda reprimida e absorvendo novas demandas. Consultas se tornaram mais eficazes, pacientes passaram a esperar menos, colaboradores se tornaram mais engajados e envolvidos, tudo isso como fruto da gestão lean.

E esses resultados foram conquistados sem precisar aumentar a área física, adicionar novos equipamentos ou recrutar pessoal.

No setor da saúde em geral, temos de um lado uma enorme demanda reprimida, com pacientes precisando de semanas para realizar uma consulta ou meses para uma cirurgia não emergencial. E, além disso, temos procedimentos médicos desnecessários, que não causam nenhum bem ao paciente, mas que, mesmo assim, são realizados.

Não há falta de recursos em geral na saúde. Na verdade, temos uma enorme quantidade de desperdícios. Em curto prazo, podemos aumentar a capacidade de atendimento em 30-40% sem aumentar a quantidade de recursos. Mais consultas, mais tratamentos, mais cura, com menos erros médicos, menos infecções, menos condições inseguras para os colaboradores. Tudo isso conquistado a um custo financeiro menor para o sistema todo e para todos os envolvidos.

Por exemplo, a simplificação do fluxo de informações e a redução de paradas e esperas com a adoção mais ampla possível do fluxo contínuo reduzirá a enorme quantidade de papelada inútil no sistema de saúde.

Enfim, há uma quantidade enorme de etapas de processos e atividades assistenciais na gestão da saúde que são, absolutamente, desperdícios e, portanto, devem ser simplesmente eliminadas ou reduzidas.

A melhoria do setor de saúde é uma das necessidades sociais mais fortes. Carente de boas práticas de gestão, algumas delas de domínio da indústria há muitas décadas, há uma carência e necessidade no setor.

Se expandirmos a aplicação do lean nesse setor, teremos um enorme progresso social. Pacientes, profissionais do setor, investidores, governos e sociedade se beneficiarão enormemente.

Esperamos poder continuar contribuindo. A publicação desse livro foi mais um passo nessa direção.

PS1. Veja como foi o Lean Summit 2014. Agradecemos a todos que contribuíram para que ele tenha sido um grande sucesso. Aguardem o Lean Summit Saúde em 2015.

PS2. Um das sessões mais bem avaliadas do Summit foi sobre Lean Coaching. Para aprofundar e detalhar esse tema, dando instrumentos práticos para a sua realização, teremos um workshop público sobre o tema no dia 31 de outubro. Pode ser útil tanto para as empresas mais avançadas quanto para aquelas que estão iniciando a jornada lean.

Publicado em 30/09/2014

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