Enxuga Aí ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Após trágica destruição do Museu Nacional, gestão pública brasileira continua “apagando incêndios”

O museu foi vítima de uma gestão que só encara de verdade os problemas quando já estão grandes demais. Muitas empresas também seguem este caminho

Museu Nacional destruído após incêndio (Foto: Buda Mendes/Getty Images)

Quem trabalha em empresas provavelmente conhece uma metáfora utilizada para resumir como é o cotidiano de companhias com gestão ineficiente. São aqueles típicos gestores que vivem “apagando incêndios” no dia a dia do trabalho. Atuam em organizações cuja cultura de gestão só encara de verdade os problemas quando já estão grandes demais. Sabemos que isso, aliás, é bastante comum. 

Na semana passada, vimos como esse tipo de gestão pode ser destrutivo para uma nação inteira e para o mundo. Todos assistiram, estupefatos, à versão real e trágica dessa metáfora no incêndio que destruiu o Museu Nacional. O fogo consumiu, para sempre, grande parte da história, arte, cultura, ciência e educação, não só brasileira, mas também mundial.

A grande mídia, nacional e estrangeira, já detalhou o descaso e o abandono de décadas que a instituição vinha sofrendo. Cortes seguidos de verbas, ausência de recursos para manutenções básicas, degradação visível do prédio histórico, falta de reformas ou investimentos, instalações elétricas precárias, cupins destruindo artefatos, ausência de brigada de incêndio e de água nos hidrantes, entre outros. 

Fica claro que a destruição do museu é fruto de um tipo de gestão que infelizmente faz jus a essa metáfora de “apagar incêndios”. É uma gestão que despreza as causas dos problemas. Que pouco se esforça para analisar a raiz dos problemas e procurar soluções. Uma gestão que é lenta e burocrática nos processos. O Museu Nacional é mais uma vítima dessa gestão ineficiente. 

E há outros exemplos recentes: em São Paulo, o Museu da Língua Portuguesa também foi destruído por incêndio; o Museu do Ipiranga foi fechado e passa por reformas porque não tinha condições de garantir a preservação do acervo e a segurança. 

Então, cabe perguntar: e os demais museus e acervos espalhados pelo Brasil certamente afetados por gestão focada em “apagar incêndios”? Não só na museologia. Estou falando também de instituições na educação, ciência, universidades, que atuam contra a desigualdade social, nas políticas de habitação, na segurança pública. Onde será o próximo “incêndio”?

Ficou evidente também que temos uma gestão que dá pouco valor ao investimento em cultura. Não apenas no setor público, sejamos honesto, pois boa parte do país só passou a conhecer o Museu Nacional após sua destruição. Grande parte da população brasileira, incluindo muitos líderes de empresas, sequer sabia da importância de seu acervo agora destruído. 

E não se trata só de uma gestão míope da cultura brasileira, mas também da ciência. Como se soube, o museu era um local de importantes pesquisas científicas. Muitas se perderam e jamais serão retomadas, o que também reflete um descaso com o investimento científico e tecnológico no país.

Faltou à gestão pública a visão de que o Museu Nacional era uma instituição com múltiplos propósitos e funções sociais. Para tanto, careceu ali de uma governança apoiada fortemente por diversas esferas, das áreas da cultura, da educação, da ciência, do setor privado. A impressão que fica é que todas falharam.

Com tudo isso, parte da memória mundial virou cinzas. É preciso resgatar, no Brasil, a importância de se preservar “memórias”. É honesto que se diga que também muitas empresas não dão a devida atenção à sua própria história, o que é fundamental para consolidar seus valores.

Essa visão de gestão ineficiente é, em última instância, a grande responsável pelo desconhecimento, pelo descaso e pela destruição do Museu Nacional. As chamas já foram apagadas. Mas até que provem o contrário, essa gestão “à brasileira” continuará, infelizmente, “apagando incêndios”.

Este artigo foi publicado originalmente em: Época Negócios

Leia também: continue sua jornada de aprendizado

Hospital chinês feito em 10 dias mostra a importância da integração entre produto, processo e gestão

Enxuga Aí

Hospital chinês feito em 10 dias mostra a importância da integração entre produto, processo e gestão

Ler artigo
Flamengo: além da paixão, gestão também foi decisiva para os resultados

Enxuga Aí

Flamengo: além da paixão, gestão também foi decisiva para os resultados

Ler artigo

Da teoria para a prática: próximos passos

Equipe em reunião de consultoria

Consultoria lean em operações

Diagnóstico, planejamento e implementação com especialistas atuando diretamente no gemba da sua organização.

Saiba mais →
Profissional organizando post-its em quadro

Treinamentos lean

Formação presencial e online para líderes que desejam implementar a melhoria contínua em suas organizações.

Ver próximas datas →
Lançamento do livro Gente Lean — Gestão não é sobre ferramentas, é sobre Gente

Transforme conhecimento em resultado.

No LeanShop você encontra os principais livros, e-books e coleções sobre Lean, Lean Thinking, melhoria contínua, liderança e excelência operacional para levar sua gestão a outro nível. Explore conteúdos que ajudam profissionais e empresas a gerar mais valor com menos desperdício.

Acesse agora o LeanShop →