SAÚDE

Liderança lean: conceitos, práticas e aplicações em Hospital de Foz do Iguaçu

Lean Institute Brasil
Liderança lean: conceitos, práticas e aplicações em Hospital de Foz do Iguaçu
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40 colaboradores do Hospital Itamed participaram da formação e atuaram diretamente em projetos estratégicos voltados à melhoria do fluxo do paciente, à otimização de recursos, ao aumento da eficiência operacional e ao fortalecimento da gestão da qualidade.


Mais do que qualquer método ou ferramenta, o verdadeiro diferencial competitivo reside no comportamento diário de quem guia as equipes. Quando líderes conectam propósito, método e resultados, criam condições para que todos enxerguem problemas com clareza, aprendam mais rápido e entreguem valor crescente aos pacientes.

No ambiente hospitalar, isso significa transformar horas de espera em minutos de cuidado, prevenir erros que custam vidas e construir uma cultura de respeito que acolha famílias em momentos críticos. Investir sistematicamente na formação de líderes lean deixa de ser um custo e passa a ser a alavanca mais poderosa para a sustentabilidade clínica, assistencial e financeira do hospital, já que cada melhoria impacta diretamente na experiência de cuidado e na capacidade de inovar continuamente.

O líder, nesse contexto, atua como um arquiteto da melhoria: constrói estruturas invisíveis, como cultura, hábitos e confiança, que sustentam resultados visíveis – desde fluxos mais ágeis até pacientes melhor atendidos.

As sete práticas que sustentam a liderança lean

  1. Vá ver – realizar gemba walks constantes para compreender a realidade antes de decidir. No pensamento lean, gemba é a palavra japonesa para “o lugar onde o trabalho acontece”; no hospital, é estar no pronto-socorro, na UTI ou na farmácia clínica, observando diretamente o fluxo e ouvindo quem faz o trabalho. A ida ao gemba mostra o que realmente impede o fluxo e revela gargalos muitas vezes inexistentes nos relatórios.
  2. Desafie – definir metas ousadas, porém factíveis, que instiguem o time a superar o status quo. O desafio funciona como um farol em alto-mar: não resolve a travessia, mas dá direção, ilumina o caminho e evita que a organização navegue à deriva.
  3. Ouvir e perguntar – substituir ordens unilaterais por diálogos genuínos. Cada pergunta funciona como uma chave que abre portas para novas possibilidades, ampliando o espaço para que a equipe descubra soluções próprias.
  4. Ensine – atuar como líder-coach, utilizando o Processo A3 e PDCA como instrumentos de reflexão. Ensinar é como plantar árvores: não gera frutos imediatos, mas constrói equipes autônomas, capazes de enfrentar desafios complexos no futuro.
  5. Apoie – remover barreiras rapidamente, como um andon cultural. Apoiar a equipe equivale a ser uma rede de segurança: garante confiança para ousar em melhorias e inovação, mesmo diante do risco de falhas.
  6. Trabalhe em equipe – alinhar enfermagem, hotelaria, farmácia e suprimentos em torno do fluxo de valor. É como orquestrar músicos diferentes para que toquem em harmonia, criando uma sinfonia centrada no paciente.
  7. Aprenda – cultivar humildade para revisar hipóteses e aprender com falhas. A aprendizagem é como o ciclo das estações: cada fase traz novos desafios e novas colheitas. O que hoje é solução, amanhã pode ser problema – e vice-versa.

Essas práticas formam um ciclo de aprendizagem contínua, em que liderança não é posição hierárquica, mas comportamento replicável e visível no dia a dia.

Da teoria à prática no Hospital Itamed

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Encerramento do Programa Prático de Formação Lean com apresentação final de projetos ao Conselho Diretor do Hospital

Encerramento do Programa Prático de Formação Lean com apresentação final de projetos ao Conselho Diretor do Hospital

Localizado em Foz do Iguaçu (PR), o Hospital Itamed é mantido pela Fundação de Saúde Itaiguapy e nasceu em 1979 para atender inicialmente trabalhadores da Usina de Itaipu. Ao longo das décadas, consolidou-se como um dos maiores complexos hospitalares do Oeste do Paraná, sendo hoje referência para toda a 9ª Regional de Saúde.

Com mais de 26 mil m² de área construída, o hospital reúne mais de 40 especialidades médicas; 400 médicos credenciados e cerca de 1.400 colaboradores; UTIs adulto, neonatal, pediátrica e coronariana; pronto atendimento 24 horas, centro cirúrgico, oncologia, hemonúcleo, laboratório clínico, entre outros serviços de alta complexidade.

Diante desse porte e complexidade, o hospital enfrenta os desafios típicos de instituições de alta complexidade: conciliar qualidade assistencial, sustentabilidade financeira e experiência do paciente. Foi nesse cenário que o Itamed , com a consultoria e o apoio dos especialistas do Lean Institute Brasil, implementou um programa de desenvolvimento de líderes lean estruturado em três frentes.

1. Workshops imersivos

Foram conduzidas oficinas práticas para 35 líderes – do corpo executivo a coordenadores assistenciais – onde as sete práticas foram debatidas, simuladas e testadas em sala.

2. Assessment inicial e final

O diagnóstico inicial avaliou a aplicação das sete práticas. O resultado mostrou líderes fortes em aspectos relacionais, mas frágeis em “Vá ver” e “Desafie”, sinal de uma liderança ainda reativa. O segundo assessment, após a intervenção, mediu a evolução e confirmou avanços significativos.

3. Coaching em ciclos PDCA

Durante quatro meses, líderes foram acompanhados em sessões de coachings em que eram desafiados a escolher um problema real, aplicar uma nova prática de liderança, medir impacto e refletir. Esse ciclo garantiu que novos hábitos fossem consolidados antes que antigos voltassem a prevalecer.

Resultados que começam no comportamento e chegam ao leito

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Após o ciclo de coaching, o hospital observou mudanças visíveis:

  • Evolução comportamental – as dimensões anteriormente críticas, como protagonismo no gemba e estímulo ao desenvolvimento de pessoas, apresentaram notável avanço. O grupo demonstrou uma mudança de perfil: de um modelo reativo e relacional para uma liderança mais propositiva e prática, equilibrando escuta, ação e aprendizado.
  • Maturidade coletiva – O score médio do assessment subiu 17% — o que, em termos práticos, significa que os líderes passaram a aplicar com muito mais consistência os sete hábitos da liderança lean no dia a dia. Além disso, a melhoria foi uniforme entre os gestores, sinal de que não se tratou apenas de evolução individual, mas de um salto de maturidade coletiva.
  • Alto engajamento – o NPS (Net Promoter Score) da iniciativa ficou acima de 94%, patamar considerado excelente em qualquer setor. Isso significa que praticamente todos os líderes participantes recomendariam a experiência a outros colegas, refletindo não apenas satisfação, mas também a percepção de valor real do processo para sua prática de liderança.

Esses resultados mostram que desenvolver líderes lean não é apenas treinar pessoas, mas transformar a maneira como a organização aprende e entrega valor.

Liderança lean não é projeto, é jornada

A experiência do Hospital Itamed demonstra que a construção de líderes lean sustenta a estratégia e impulsiona resultados clínicos e operacionais. Quando práticas como Vá ver, Desafie, Ensine e Trabalhe em equipe deixam de ser conceitos e se tornam comportamentos cotidianos, a estratégia não apenas é executada, mas evolui com a inteligência coletiva do hospital.

No caso do Itamed, essa jornada já se traduz em líderes mais presentes no gemba, maior consistência na resolução estruturada de problemas e ganhos coletivos de maturidade.

Investir nessa jornada significa garantir que os próximos objetivos estratégicos do hospital encontrem líderes preparados para torná-los realidade com sustentabilidade — assegurando que cada melhoria reflita diretamente na experiência do paciente e no fortalecimento do sistema de saúde.

Fonte: Lean Institute Brasil
Publicado em 24/03/2026

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