Conceitos, Princípios e Origens

O que é uma obeya?


Neste roundup, discutimos a sala obeya e usamos alguns dos melhores artigos sobre o tópico para explicar por que ela é uma ferramenta tão poderosa para promover melhorias em sua organização.

Roberto Priolo

Alguma vez você já sentiu, em sua transformação lean, que muitas das dificuldades que você encontra estão ligadas à dicotomia entre o fluxo horizontal de valor entre departamentos e a organização vertical de silos de sua empresa?

Isso é compreensível. E é uma dor de cabeça. Se você esquecer que os clientes não se importam com seus processos internos e simplesmente esperar que seu processo flua de maneira rápida e suave (o que exige uma grande colaboração entre as funções do negócio), você terá problemas reais muito rapidamente. Da mesma forma, é ingênuo achar possível uma organização completamente plana que ignore o conhecimento especializado de cada departamento. Então o que fazer?

Uma maneira de resolver esse dilema é usando uma obeya. Em japonês, obeya significa “sala grande” – frequentemente traduzida como “sala de guerra” por causa da sua função. Ela é uma ferramenta muito poderosa para facilitar o trabalho em equipe e gerenciar melhor os projetos (é particularmente popular no ambiente de desenvolvimento de produtos, mas pode ser usada em qualquer lugar – geralmente como um “centro de controle” para a implantação da sua estratégia).

Na excelente coluna Gemba Coach, Michael Ballé escreve: “Uma obeya é claramente uma ferramenta de trabalho em equipe: ajudando os gerentes em várias funções a resolver problemas além de suas fronteiras funcionais. Como parte de um projeto ou equipe de gestão, o que a obeya deve fornecer é uma ideia clara sobre no que seus colegas estão trabalhando e por que (e também por que eles acham que o que estão fazendo está ajudando), para que você possa enxergar com seus próprios olhos onde seus esforços os ajudam ou causam problemas adicionais”.

Uma condição para a eficácia de uma obeya é o domínio da gestão visual. Uma sala obeya típica estará coberta por tabelas, gráficos, fotos e, obviamente, A3s – exibindo o plano e os seus marcos, acompanhando o progresso em relação às expectativas e listando possíveis contramedidas para os problemas identificados.

Em um ótimo artigo para o Planet Lean, Sandrine Olivencia e Régis Medina nos falam sobre as origens dessa ferramenta: “No início dos anos 90, Takeshi Uchiyamada, engenheiro-chefe da Toyota, recebeu um desafio difícil: projetar o carro do século 21, com metas de consumo de combustível muito agressivas. Em menos de três anos, o primeiro carro híbrido, o Prius, foi lançado no mercado – 15 anos à frente da concorrência. Para realizar tal feito, o engenheiro-chefe também teve que inventar uma nova abordagem de desenvolvimento de produtos e processos. Ele projetou um novo tipo de gestão visual, que, desde então, se espalhou pelos escritórios de engenharia da Toyota: a obeya”.


O que é uma obeya

O significado de obeya

Em seu artigo, Sandrine e Régis oferecem uma nova interpretação de por que a obeya é uma ferramenta tão poderosa. Eles escrevem: “Uma obeya não é apenas outra ferramenta de gestão de projetos. O objetivo não é revisar o progresso nem priorizar os recursos. O objetivo é, antes de mais nada, pensar profundamente, conversar e discutir sobre os principais problemas do projeto. É um espaço para descoberta” (descoberta significa aprender como nosso produto cria valor para o cliente e, posteriormente, como produzir da maneira mais eficiente).

Eles nos dão quatro respostas que uma obeya deve responder para ser considerada eficaz. Confira o artigo para ler sobre isso.

Ao refletir sobre o objetivo de uma obeya em outro artigo da coluna Gemba Coach, Michael Ballé diz que essa ferramenta “mantém os olhos da equipe de gestão focados e desenvolve o trabalho em equipe”.

No que uma obeya deve se concentrar?

Michael recomenda três tópicos principais que qualquer obeya deve explorar:

  • Reclamações do cliente – “A obeya está lá para criar espaço para pensar em nossos clientes e no valor que oferecemos” (o que está perfeitamente alinhado com o ponto de vista de Sandrine e Régis de que a obeya é uma ferramenta para descoberta).
  • Principais indicadores de desempenho e objetivos de melhoria (em particular, procure um objetivo dinâmico e A3s concluídos) – “toda equipe esportiva precisa de uma maneira clara de marcar pontos/gols coletivamente para lutar em conjunto – todo esporte tem um esquema de pontuação”.
  • Próximas mudanças que afetarão a todos nós – “Ao publicar as mudanças planejadas nas salas obeya, podemos começar a pensar em obstáculos e questões específicas para preparar as equipes para a mudança”.
  • Uma descrição dos principais sistemas ou tecnologias que devem ser combinados para criar um produto ou serviço completo: a obeya deve nos ajudar a entender como o valor é realmente incorporado e onde estão ocultos os problemas de interface e, em particular, eliminar os “joga para cima e reza” ocultos em nosso pensamento, que levarão a custos e desperdícios desnecessários.

ALGUNS EXEMPLOS DE SALAS OBEYA

Confira estes três artigos para saber como diferentes organizações estão criando e alavancando seus objetivos.

  • Aqui, a Nike compartilha algumas dicas sobre como criar uma sala obeya – enfatizando a importância da tentativa e erro.
  • Nesta entrevista, Malika Mir nos conta como a Ipsen está usando a “sala grande”.
  • Por fim, no vídeo abaixo, o Dr. Frederico Pinto, de um centro brasileiro de tratamento de câncer, mostra-nos a Sala Verde e explica como ela funciona.


Dr. Fred explica o desdobramento da estratégia

Fonte: Planet Lean

Sobre o autor

Roberto Priolo é editor-chefe do Planet Lean.


Publicado em 26/11/2019


Faça seu comentário abaixo.
Eventos
02 03 SET
Lean Summit 2020                                 
Transamérica Expo Cente...
São Paulo - SP
Publicações
 
– Jeffrey Liker e Timot...
Lançamento