Cultura e Liderança

Apresentando a Colômbia à gestão lean


ENTREVISTA – Ao olharmos para a evolução da gestão lean em nossos países, a história do Instituto Lean Colombia certamente parecerá mais do que familiar.

Juan Ruiz

Planet Lean: Para entender o contexto em que o Instituto Lean Colombia opera, você pode nos contar um pouco sobre a economia colombiana?

Juan Ruiz: Somos um país emergente que está crescendo de forma consistente, embora não tão rapidamente quanto gostaríamos. Atualmente, temos uma balança comercial negativa – com mais importações do que exportações –, mas muita diversidade em nossa economia. Temos muita construção, manufatura, mineração e agricultura. Nos últimos anos, o setor de serviços cresceu consideravelmente ao alavancar a localização estratégica da Colômbia entre dois oceanos – apesar da falta de infraestrutura em nosso país.

 

PL: Que oportunidades você vê para o lean em seu país? Como isso pode ajudá-lo a crescer e prosperar?

JR: Existe um enorme potencial para o lean na Colômbia. Acredito que pode não só impulsionar nossa economia, mas também transformar nossa sociedade. Um estudo recente da Organização Internacional do Trabalho revelou que a Colômbia é um dos países menos produtivos do mundo, o que por si só cria enormes oportunidades para o lean aqui.

As conversas raramente se concentram na criação de valor e, mesmo quando o fazem, tendem a se referir ao valor para os negócios – e não para o cliente. Com o lean, temos uma maneira de reformular o trabalho na Colômbia e fazer melhor uso de nossos recursos.

Com a globalização e a abertura de nossa economia, finalmente temos a oportunidade de competir com o mundo. Para fazer isso, no entanto, precisamos estar em pé de igualdade com outros países. Não podemos ficar para trás: precisamos ser mais rápidos, mais ágeis, mais eficientes… ou seja, mais lean.

O lean é uma abordagem alternativa à gestão, que permite às empresas seguir um caminho de aprendizagem e inovação contínuas. É centrado nas pessoas, pois mantém o desenvolvimento da capacidade em seu núcleo. Muitas vezes, na Colômbia, ele ainda é considerado uma ferramenta. Esse tem sido um equívoco comum no estágio inicial em todos os países onde o lean apareceu, e não somos exceção. Como instituto, estamos trabalhando duro para ajudar o mundo dos negócios na Colômbia a entender o que lean realmente é e a adotá-lo plenamente.

Temos bons casos lean, é claro, mas a maioria deles está nas corporações. O problema é que as corporações representam apenas 5% das empresas na Colômbia… nossa oportunidade são os 95% restantes!

PL: Que tipo de obstáculos você está encontrando ao trabalhar para apresentar cada vez mais pessoas ao lean na Colômbia?

JR: Quando conversamos com líderes de negócios, percebemos que há uma tendência em focar nos problemas externos, em vez de olhar para o que cada um de nós pode fazer para melhorar as coisas. Por exemplo, as empresas se queixam de infraestrutura precária ou das decisões mais recentes do governo (que são, obviamente, preocupações legítimas), mas raramente sobre quais problemas eles podem resolver internamente para melhorar seus resultados. Mudanças na política e infraestrutura aparecerão no médio e no longo prazo, mas o lean está aqui agora! Já podemos fazer algo para melhorar nosso desempenho como empresas e, consequentemente, como país.

Atualmente, existem muitas discussões sobre produtividade na Colômbia. Essa é uma mudança bem-vinda, mas também me preocupo em ficarmos presos a o que é essencialmente uma discussão taylorista: encontrar eficiência e reduzir custos é ótimo, mas nunca podemos nos esquecer do cliente. Precisamos entender que o lean é um sistema holístico.

Outra dificuldade que encontramos é fazer com que os líderes de negócios entendam que precisam liderar as transformações de suas empresas. Existem muitas empresas familiares na Colômbia, com culturas profundamente enraizadas e difíceis de mudar. Percebemos uma enorme divisão entre a velocidade com que as organizações fazem estratégias e se adaptam a novas circunstâncias e com a qual os clientes estão mudando seus comportamentos e hábitos.

PL: Falando pelo Instituto Lean Colombia, qual é sua estratégia para ajudar a Colômbia a adotar o lean? De onde você tira sua inspiração?

JR: Nosso objetivo é orientar pessoas e empresas em suas transformações lean. Fazemos isso de maneiras diferentes. Por exemplo, por sermos uma organização sem fins lucrativos, temos parcerias de aprendizagem com nossos clientes. Isso é fundamentalmente diferente da consultoria tradicional, na qual as pessoas contratam alguém para “fazer o lean” para elas. Não acreditamos nessa abordagem. Em vez disso, fornecemos às organizações as ferramentas necessárias para efetuar mudanças por si mesmas.

Somos parte da Lean Global Network (presente em mais de 30 países) e nos esforçamos para espalhar o pensamento e a prática lean em nosso país de todas as maneiras possíveis. Organizamos workshops abertos ao público, nos quais as pessoas compartilham suas experiências e dificuldades, e eventos onde você pode aprender com outras pessoas que já estão em uma jornada lean. Nós nos esforçamos para compartilhar exemplos de histórias de sucesso e tentativas fracassadas de introduzir o lean.

Quando criamos o instituto, não havia livros disponíveis sobre o lean no país. Eles já existiam em espanhol, mas ninguém havia decidido trazê-los para a Colômbia. Hoje, temos mais 23 títulos disponíveis para a comunidade lean colombiana.

A comunidade lean na Colômbia está começando a crescer. Nosso objetivo é identificar as pessoas e organizações que desejam fazer parte desta comunidade e apoiá-las com as informações e ajuda prática de que necessitam. Workshops, summits, livros e artigos como os do Planet Lean são ferramentas poderosas a nossa disposição para espalhar a palavra lean por nosso país.

 

PL: Seu primeiro lean summit está chegando! Pode contar-nos sobre isso?

JR: Temos o prazer de sediar o primeira Lean Summit na Colômbia, de 6 a 7 de novembro, em Bogotá. O evento representará um ponto de encontro para nossa comunidade. Alguns dos melhores casos lean da Colômbia serão exibidos lá. Também temos a sorte e a honra de receber Jim Womack no evento. Ele e Dan Jones são os pais fundadores do movimento lean. Teremos também José Ferro, fundador do Lean Institute Brasil, Christopher Thompson, especialista em lean aplicado ao mundo digital, e Karyn Ross, especialista em lean no setor de serviços. Os participantes aprenderão muito com as apresentações. Eles também terão a oportunidade única de se relacionar com profissionais com a mesma mentalidade: o yokoten é uma das maneiras eficazes de aprender com os outros e espalhar o pensamento lean.

Fonte: Planet Lean

Sobre o entrevistado

Juan David Ruiz Valencia é o presidente do Instituto Lean Colombia.


Publicado em 22/11/2019

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