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Apertem os cintos: os desafios das empresas para 2026

Empresas chegarão a 2026 em diferentes graus de preparo. Algumas atuarão na superfície, corrigindo somente questões mais gritantes e evidentes. Outras, revisitarão premissas, métodos e responsabilidades para alinhar o trabalho ao que o novo contexto exige

O Ano Novo se aproxima com um conjunto de pressões que tende a elevar o padrão de exigência sobre as empresas. A convergência entre tecnologia, mudanças regulatórias e custos mais voláteis cria um ambiente que valoriza estruturas sólidas de trabalho. A gestão diária passa a depender da coordenação fina entre processos, informações e capacidades individuais. Não há margem para muito improviso.

A tecnologia continuará a ganhar espaço, mas de forma menos espetacular do que muitos projetam. A inteligência artificial deve ampliar a qualidade das análises e reforçar a disciplina das decisões, desde que encontre processos minimamente estáveis. Onde há método, ela ajuda a melhorar o desempenho; onde não há, apenas amplifica o ruído. O desafio está em preparar o terreno para que a tecnologia se torne parte orgânica da operação, mas não um acessório que “envelhece” rápido e cai em desuso.

A Reforma Tributária, cujos ciclos de adaptação se iniciam no ano que vem, exigirá uma leitura muito atenta por parte de empresas de todos os setores. A mudança para a tributação “no destino” tende a alterar a composição dos custos, a lógica de precificação e as escolhas de localização. Suprimentos, produção e distribuição precisarão de revisões cuidadosas. Ainda estamos diante de regras em consolidação, mas os impactos serão amplos e profundos. Quem se adiantar nessa análise chegará ao novo regime com mais previsibilidade e menos correções de última hora para se fazer.

As cadeias de suprimentos chegam a 2026 ainda pressionadas por variações de oferta, custos logísticos instáveis e maior exposição a riscos externos. Esses movimentos revelam fragilidades que muitas empresas ainda tratam apenas com estoques maiores, uma solução cara e pouco eficaz. O desafio central será compreender melhor o comportamento do fluxo de valor estendido.

Os pontos de “gargalo”, as transições entre etapas e a qualidade das informações que orientam o planejamento devem gerar estabilidade à operação. Quando esse fundamento é sólido, a empresa reage mais rápido, ajusta rotas com menos atrito e sustenta os ritmos de produção e entrega, mesmo diante de cenários imprevisíveis.

No campo financeiro, o ano que vem exigirá seleção criteriosa do que merece aporte de recursos. A pressão sobre o caixa tende a aumentar e tornará indispensável distinguir iniciativas táticas de movimentos que redefinem, de fato, a competitividade. Investimentos precisarão estar associados, de forma concreta e mensurável, a ganhos de produtividade, a avanços na qualidade ou à expansão real da capacidade de atender mercados relevantes. Alocar capital em frentes “periféricas” ou não prioritárias reduz a margem de manobra justamente quando as organizações mais precisam concentrar esforços naquilo que as sustenta.

O calendário nacional também terá impacto expressivo. A concentração de feriados e eventos de grande mobilização, como eleições e Copa do Mundo, reduzirá dias úteis e exigirá planejamento cuidadoso da capacidade. Organizações que tratam o tempo como “ativo estratégico” conseguirão preservar melhor suas cadências produtivas, mesmo com agendas fragmentadas.

O quadro que se forma não exige gestos espetaculares, mas, sim, consistência. Processos claros, informações confiáveis e equipes capazes de agir com discernimento quando algo se desvia do esperado formam a base de estabilidade em ambientes voláteis. São esses fundamentos que sustentam trajetórias de crescimento contínuo, mesmo quando as condições externas se tornam menos previsíveis.

As empresas chegarão a 2026 em diferentes graus de preparo. Algumas atuarão na superfície, corrigindo somente questões mais gritantes e evidentes. Outras, revisitarão premissas, métodos e responsabilidades para alinhar o trabalho ao que o novo contexto exige. A diferença entre esses caminhos está na capacidade de tratar o cotidiano como espaço central de criação de valor e solução de problemas. É no manejo diário dos processos, das informações e das decisões que se consolidam eficiência, aprendizado e estabilidade. Quem conseguir operar com lucidez diante desse cenário ampliará consideravelmente sua margem de manobra nos próximos anos.

Boas festas! A coluna entra em recesso e retorna em fevereiro de 2026.

Este artigo foi publicado originalmente em: Época Negócios

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