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Como a gestão lean tem redefinido a logística dos negócios


Vem crescendo o número de companhias que usam práticas ágeis e digitais para atender às novas exigências dos consumidores

Flávio Augusto Picchi

Como a gestão lean pode mudar a forma como empresas fazem logística (Foto: Reprodução/Pexel)

Já se foi o tempo em que a logística era considerada, para a maioria das empresas, somente uma fonte indesejada de custos. Hoje em dia ela precisa ser considerada estrategicamente, como parte do processo de entrega de valor aos clientes. Isso porque cada vez mais se percebe que não é suficiente concentrar esforços só em desenvolver, produzir e vender bons produtos e/ou serviços. Em mercados extremamente disputados, com os clientes que exigem agilidade num mundo cada vez mais digital, é preciso também entregá-los de forma excelente.

Nesse contexto, vem crescendo cada vez mais o número de companhias que estão redefinindo suas operações logísticas com uma particularidade: sem precisar, necessariamente, investir em mais mão-de-obra, estrutura ou equipamentos, como era de praxe, mas reformulando a gestão da logística com base na adoção dos conceitos e práticas do sistema lean.

Estive esta semana num grande evento, que discutiu a logística lean e sua necessidade ainda maior na transformação digital das empresas. De nada adianta, por exemplo, uma empresa investir em sistemas avançados para conhecer as preferências dos consumidores, oferecer acesso a opções, comparações, simulações e customizações no mundo virtual se no mundo físico o cliente tiver que esperar dias ou até semanas para receber o produto que deseja. Ou ainda pior se tiver problemas na entrega, como produto errado, atrasado, avariado, etc.

Robert Martichenko, especialista internacional no tema, caracterizou muito bem o tamanho do desafio que as empresas têm enfrentado, atualizando a definição do que seria um “pedido perfeito”. Ele define os “10 certos”, que precisam ocorrer numa cadeia logística estruturada sob a gestão lean: o produto certo, para o cliente certo, na quantidade certa, na qualidade certa, no tempo certo, vindo da fonte certa, com o preço certo, com o custo total certo, com serviço certo e, finalmente, “com a quantidade certa de complexidade”. E tudo isso passando por cadeias de suprimento complexas com a necessária cooperação de diversas empresas, desde o planejamento, fornecimento, produção e distribuição até chegar nas mãos do cliente.

Felizmente, os conceitos e as ferramentas lean aplicados à logística, já desenvolvidos e utilizados por diversas empresas, possibilitam o desenho de sistemas que melhoram continuamente, na direção dos “10 certos”. 

Por exemplo, utilizando mapeamentos de fluxos de valor para possibilitar uma visão compartilhada entre todos os envolvidos na cadeia de suprimentos. Entendendo como as informações e a movimentação dos materiais interagem e quais são os principais problemas e desperdícios. Isso é a base para o desenho e a implementação de um estado futuro da cadeia de suprimentos de ponta a ponta, incorporando conceitos lean como: estabilidade básica, pequenos lotes, sistema puxado, recursos nivelados, ritmo conforme a demanda dos clientes, transparência, gestão visual, exposição e rápida solução de problemas, colaboração etc.

E se, por um lado, a transformação digital gera novas e crescentes demandas às operações logísticas, também traz novas tecnologias, que são grandes aliadas se bem empregadas para solucionar problemas relevantes e bem definidos sob a ótica dos clientes. Diversos exemplos também já existem nesse campo, como, por exemplo, aplicativos que conectam os caminhoneiros em tempo real, com as unidades onde devem retirar as cargas e com os clientes, que podem visualizar a chegada de suas encomendas.

Uma coisa já está clara: essa enorme mudança para uma nova logística, lean e digital, só é possível com novos modelos mentais e práticas de gestão e liderança que engajem todos os colaboradores na eliminação de desperdícios e melhoria contínua e que busquem relações de colaboração com cada parceiro da cadeia de suprimentos estendida.

Tudo isso tem gerado resultados impressionantes para as companhias que aplicam esses conceitos, como reduções brutais de estoques, ganhos enormes de espaços, aumentos de produtividade, diminuição de frotas de veículos, prazos de entrega significativamente menores e mais confiáveis, maior flexibilidade, dentre diversos outros ganhos.

Entender e aplicar os conceitos da gestão lean nos processos logísticos é um fator fundamental e inadiável para a melhoria da competitividade, tanto das empresas quanto do nosso país. Não perca o momento. Busque parceiros para essa jornada, tanto de áreas de dentro de sua companhia quanto nos agentes que fazem parte da sua cadeia de suprimentos.

*Flávio Picchi é presidente do Lean Institute Brasil e Prof. Dr. da Unicamp


Publicado em 25/04/2019


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