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Pensamento lean, melhor ensino


Uma escola na Holanda está descobrindo o potencial do pensamento lean e melhorando seus processos para lidar com a sobrecarga dos professores.

René Aernoudts

Assim como médicos, a profissão de professor é um chamado. Formar as mentes dos estudantes é uma enorme responsabilidade que os professores assumem com paixão e dedicação, mas também pode ser um fardo gigantesco – tanto emocional quanto físico.

Uma escola aqui na Holanda, a Zaan Primair, recentemente começou a trabalhar para aliviar a sobrecarga do pessoal em 10 de suas 55 escolas, e acredito que o trabalho que estão fazendo é inspirador.

A Zaan Primair não é nova no pensamento lean. Eles têm aplicado a filosofia em suas salas de aula há algum tempo em uma tentativa de melhorar a educação, incentivando os alunos a definir, visualizar e acompanhar os próprios objetivos. Funcionou muito bem, mas até recentemente eles não acreditavam que o lean pudesse ser usado de outra maneira.

Tudo isso mudou quando participaram de um evento de aprendizado na Nyenrode Business University, onde um de nossos clientes explicou como eles trabalharam conosco em sua transformação lean. Eles pensaram que era uma abordagem interessante e me pediram para visitar seu CEO para explicar que tipo de problemas o lean poderia ser ajudar a resolver (a resposta é qualquer problema, se você estiver se perguntando).

Em nossa reunião, ao ouvir sobre como o lean poderia ser usado no contexto das escolas da Zaan Primair, o CEO parecia ter tido uma revelação. Ele imediatamente viu uma oportunidade de usá-lo para aliviar um pouco da pressão que os professores da escola estavam sentindo.

No ano anterior, uma força tarefa tinha sido criada para resolver esse problema. Os participantes tiveram um dia por semana para trabalhar juntos na busca de uma solução para a sobrecarga (um sinal de quanto o conselho escolar se preocupa com esse problema), mas eles estavam tendo dificuldade para concentrar seus esforços e encontrar um caminho a seguir.

Nós, do Lean Management Instituut, fomos chamados para ajudar a equipe a superar o impasse em que se encontravam. Nossos coaches, Linda van Driel e Eric Steenbakkers, trouxeram para a Zaan Primair o pensamento A3, um método de solução de problemas que os ajudaria a esclarecer de onde a sobrecarga vinha.

Uma análise inicial mostrou que havia três picos de trabalho ao longo do ano, representados por atividades como as reuniões de pais e professores. Os incidentes, que compreendiam desde uma briga entre alunos até uma discussão entre um professor e um dos pais, também pareciam ocupar uma grande quantidade de tempo dos professores todos os dias (vale a pena mencionar que essas atividades são muitas vezes trabalhos que os professores levam para casa e que podem potencialmente criar muita agitação emocional).

ENSINO LEAN

Primeiro abordamos os picos de trabalho, mostrando à equipe da Zaan Primair que, em grande parte, eles poderiam planejar seu trabalho de uma maneira diferente e evitar que ele se concentrasse em três momentos específicos do ano letivo. Então, nós os ajudamos a nivelar o trabalho: as reuniões de pais e professores deixaram de acontecer três vezes por ano e passaram a acontecer toda semana (normalmente, uma ou duas vezes por semana).

Começamos, então, a analisar os incidentes, que representam um grande problema (particularmente aqueles que ocorrem entre pais e professores) e, portanto, uma grande oportunidade para o próximo A3. Primeiro, acompanhamos profundamente 10 escolas, rastreando por três semanas o número e o tipo de incidentes ocorridos (categorizamos em verbal, não verbal, físico e digital). Em pouco tempo, alguns padrões começaram a surgir. Em primeiro lugar, aprendemos que uma ou duas crianças em cada classe são normalmente responsáveis pela maioria dos incidentes: isso diz aos professores onde concentrar seus esforços. Mais importante, nas escolas em que estávamos acompanhando os incidentes, ficou mais fácil para os professores falarem abertamente sobre problemas. Esse é um passo muito positivo para esta organização, porque poder discutir os problemas é o primeiro passo para resolvê-los.

Desenvolver uma compreensão do estado atual, baseando-se em dados concretos sobre o trabalho, elimina a emoção da equação e permite que os professores se concentrem em aplicar suas habilidades e paixão para resolver problemas reais e, portanto, fornecer melhor educação aos alunos.

Fonte: Planet Lean

Sobre o autor

René Aernoudts é presidente do Lean Management Instituut na Holanda.


Publicado em 15/05/2019

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