Cultura e Liderança

Usando lean como uma forma de transformar seu modelo de negócio


O lean está entrando no Oriente Médio! Nesta entrevista, um vice-presidente sênior da Gerab National Enterprises nos conta como a empresa está usando o lean para se reinventar como uma firma de gestão de projetos.

Ronald Uchil

Roberto Priolo: Você pode começar introduzindo a Gerab National Enterprises e explicando o contexto no qual a empresa decidiu adotar o pensamento lean?


Em 2013, uma grande queda nos preços fez com que muitos projetos em nossa região fossem colocados em standby


Ronald Uchil: A Gerab National Enterprises (GNE) é uma atacadista e fornecedora de canos soldados sem emenda e componentes conectados, com sede em Dubai, Emirados Árabes.


No começo de 2014, tomamos a decisão estratégica de nos tornarmos uma organização lean


Nosso setor depende muito da indústria de óleo e gás, que viveu mudanças drásticas nos últimos anos: com a abertura da economia dos Emirados Árabes, muitas empresas de fora do Oriente Médio conseguiram entrar no nosso mercado na última década - algo que no passado era muito difícil. Experimentamos uma queda nos preços globais do ferro em 2013 e uma grande queda nos preços de óleo e gás nos últimos anos - o que fez com que muitos projetos em nossa região fossem colocados em standby. Foi no começo de 2014 que tomamos a decisão estratégica de nos tornarmos uma organização lean e mais eficiente, revisando o nosso modelo de negócio e nossa estrutura de custos e encontrando formas inovadoras de melhorar nossos processos internos, utilizar nossos recursos e melhorar nossa capacidade atual.

RP: Como a jornada se desenrolou?

RU: Começamos com a ideia de melhorar a eficiência de nossos processos e documentar de forma adequada nossas políticas e procedimentos internos. Também identificamos funções que não faziam parte do nosso negócio central e o separamos como negócios independentes: tanto nosso departamento de TI quanto nosso departamento de operações foram colocados como entidades independentes. O primeiro começou a servir as necessidades de TI de um número significativo de novos clientes externos (além das necessidades da GNE), enquanto o segundo se tornou uma empresa de logística terceirizada que gerencia as operações da GNE assim como uma série de outros clientes externos.

A fim de reduzir o desperdício que estávamos gerando através do transporte e da espera excessivos, juntamos nossos escritórios nos Emirados Árabes em um local central em nossa sede.

Nosso primeiro passo na direção de nos tornarmos uma organização mais lean foi implementar os 5S no nosso departamento de operações, o que tornou nossos processos significativamente mais fluidos. Logo percebemos que se quiséssemos progredir em nossa implementação lean por toda Gerab, precisaríamos ter pessoal treinado que pudesse ensinar seus colegas os princípios e as técnicas lean. Isso resultou no lançamento da Academia Lean da GNE, que fizemos em uma parceria com o Lean Gulf Institute.

Identificamos 25 membros de equipe que passaram por um programa de treinamento “Lean 101” (treinamento sobre os princípios básicos do lean porque queríamos que nosso pessoal entendesse o motivo pelo qual o pensamento lean é tão importante para a GNE). Dessas 25 pessoas, selecionamos uma equipe de 12 que continuaram sendo treinadas no mapeamento do fluxo de valor  (MFV). Elas então foram capazes de mapear o fluxo de valor inteiro de uma de nossas unidades de negócio, para realmente identificar o estado atual do trabalho. Foi nesse momento que nosso entendimento dos conceitos de adição de valor e de não adição de valor realmente começaram a crescer. O MFV está nos ajudando a pensar sobre como podemos oferecer serviços que adicionem valor para nosso cliente final.


Nosso plano para 2017 é ajudar as ideias lean a se espalharem pela organização


Nosso plano para 2017 é continuar nosso trabalho inicial, treinar as pessoas sobre como mentorar seus colegas e ajudar as ideias lean a se espalharem pela organização.

RP: Como o mapeamento do fluxo de valor ajudou vocês no contexto da gestão da cadeia de suprimentos?

RU: Não há dúvidas que nossos exercícios com o MFV nos deu visibilidade sobre o que cria valor para o cliente e o que não cria, tanto dentro de nossos processos internos quanto dentro do trabalho de nossos fornecedores. Ele nos ensinou como as diferentes partes da organização (e da cadeia de suprimentos) impactam umas às outras.

Os longos lead times dos produtos que vinham de nossos fornecedores são um de nossos maiores desafios, no qual continuamos profundamente focados. Temos que achar formas de colaborar e trabalhar com os fornecedores para reduzir os lead times, implementando formas padronizadas para processar os pedidos.

RP: Quais são as maiores dificuldades que você está encontrando em sua implementação lean?

RU: Tivemos a sorte de ter o apoio de nosso diretor de gestão do grupo, o Sr. Abdullah Sharafi, que tornou a implementação do projeto muito mais fácil. Ao mesmo tempo, embarcar em uma jornada lean atrai muita capacidade organizacional (em termos de alocação de tempo de recurso), o que significa que ter apoio consistente de uma equipe lean é um desafio. Simplesmente não há tempo suficiente! Dito isso, conseguimos mesmo assim fazer muito em pouquíssimo tempo.

Outra parte difícil de nossa jornada foi, claro, fazer com que as pessoas abracem o que estávamos tentando fazer. Passamos muito tempo explicando para elas que o lean não representaria uma ameaça a seus empregos, mas simplesmente seria uma forma de melhorar a eficiência da organização.

RP: O que o lean significa para você?


Vejo o lean como uma forma de transformar radicalmente uma organização


RU: Eu vi o lean ser implementado muito efetivamente tanto na indústria de manufatura quanto na indústria de serviços, e sei dos grandes resultados que essa metodologia pode trazer. Atualmente vejo o lean como uma forma de transformar radicalmente uma organização agilizando seus processos e desenvolvendo seu pessoal para fazer produtos excelentes ou fornecer serviços excelentes.

RP: Aonde esta transformação lean levará a Gerab?

RU: Graças a seu foco na transformação do negócio, a GNE será transformada drasticamente. Queremos nos tornar uma líder global em, nossa indústria e adotar a gestão de projetos por toda a empresa, enxergamos o lean como uma das ferramentas que podemos alavancar para fornecer serviços que adicionem valor a nossos clientes. Nossa transformação também é impulsionada pelo uso das tecnologias mais recentes, que nos permitem automatizar, mapear o fluxo de valor e reunir conhecimento. Graças às nossas iniciativas de TI, seremos capazes de ter maior visibilidade em nossas operações a fim de controlar e coordenar o trabalho entre nossos departamentos e garantir uma gestão profissional de projetos e, portanto, fornecer valor para nossos clientes.

O lean está se expandido para o Oriente Médio, onde a LGN tem um novo afiliado - o Lean Gulf Institute

Para mais informações, contate Deborah Salimi em deb@leangulf.org

Ronald Uchil é vice-presidente de excelência corporativa e recursos humanos na Gerab National Enterprises em Dubai.

Fonte: Planet Lean.


Publicado em 21/05/2018

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