Confie em seu pessoal e dê-lhes acesso ao conhecimento


Cultura e Liderança
Boaz Tamir - 24/01/2018


COLUNA - Conforme o lean nos ensina, uma abordagem de comando e controle para a gestão tende a falhar. Precisamos, em vez disso, da confiança nas pessoas e da descentralização do conhecimento.

Nos negócios, muitas vezes há uma grande diferença entre as expectativas e a realidade. Normalmente quando as coisas dão errado, e uma estratégia não dá frutos, os líderes tendem a apertar as rédeas e a perder a confiança nas pessoas que as cercam - em alguns casos, estão em completa negação.

Isso ocorre porque, na tentativa de obter controle, o que historicamente sempre falha, a gestão tradicional construiu uma "máquina organizacional", projetada por engenheiros industriais (com base no taylorismo), visando manter o controle centralizado através da aplicação de uma estrutura hierárquica. Isso tem muitas faces: automação, robótica, ferramentas de planejamento gerencial, sistemas de planejamento de requisitos de material (MRP), câmeras e sensores e assim por diante. De certa forma, tudo isso é uma expressão dessa visão fundamentalmente falha de gestão, e é importante reconhecer que nenhuma delas fornece qualquer tipo de segurança para um gerente que está lutando para levar a empresa ao próximo nível.

Então, o que os gerentes podem fazer para obter controle e promover suas organizações? Embora possa ser contraintuitivo para alguns, eles devem descentralizar o controle da organização, dispersando-o entre diferentes equipes de profissionais. Isso incentivará as pessoas no gemba a tomar a iniciativa de encontrar novos caminhos e melhorar a situação, o que, por sua vez, gerará um novo padrão para guiar todo o negócio. A confiança gera responsabilidade e desencadeia a criatividade. Isso, por sua vez, leva a descobertas inovadoras. Por outro lado, aplicar a disciplina de forma ameaçadora de cima para baixo acaba com a inspiração e a motivação.

A própria tecnologia deve ser usada para apoiar e habilitar sistemas de aprendizagem, e não como uma ferramenta de comando e controle. Big Data e Machine Learning, por exemplo, fornecem aos pesquisadores uma oportunidade para simulações amplas, experimentos e análises aprofundadas que podem levar a uma compreensão da natureza mutável do mercado - pense nas tendências sociais ou nos comportamentos e preferências dos clientes. Mas essas ferramentas nunca foram projetadas para rastrear e monitorar os colaboradores. Para os empresários e gerentes de negócios, tais tecnologias devem ser ferramentas para entender a situação atual e para incentivar o trabalho autônomo da equipe, a tentativa e erro e a resolução de problemas em tempo real.

O controle descentralizado é tão importante quando falamos sobre o nível de conhecimento dentro da organização. Tornar o conhecimento facilmente disponível a todos não é apenas uma demonstração fundamental de respeito pelas pessoas, mas também uma medida com capacidade de alterar qualquer cenário e que, com razão, torna a informação vazia de qualquer poder político. Em um ambiente de tomada de decisão descentralizada, o conhecimento deve pertencer a quem precisa, e não às pessoas que o criaram (ou compraram). Transferir a posse do conhecimento do criador para o usuário é a base para gerar confiança em todas as equipes nas organizações. Essa forma de pensar também representa a base da tentativa de desenvolvimento de produtos da Toyota New Global Architecture (TNGA), que tivemos a oportunidade de aprender com a Rede Global Lean no mês passado no Japão.

Acredite: quando surgirem problemas que ameacem a própria existência de seu negócio, enquanto gerente, você irá querer que o conhecimento atualizado esteja disponível para todas as pessoas da organização – é sua melhor aposta para garantir que sejam feitas decisões informadas para salvar sua empresa.

As equipes intelectuais, quando habilitadas, criam ideias e as examinam em experiências controladas que irão gradualmente transformar a organização. Empresas como Toyota, Spotify, Disney, Google e Amazon foram capazes de renunciar a sua dependência de um sistema hierárquico que facilite o controle gerencial para criar equipes autônomas capazes de gerar continuamente novos conhecimentos. Em tais organizações, a inovação não pertence a alguns indivíduos privilegiados; em vez disso, é resultado do acesso de todos ao conhecimento e da participação contínua no trabalho em equipe, assim como acontece em uma colônia de formigas.

De fato, se as empresas tomassem a natureza como modelo, a primeira lição que aprenderiam é que não há atalhos para o desenvolvimento evolutivo. Você pode acelerar a velocidade em que aprende (estudando as interações entre fatores e entendendo os efeitos colaterais), mas não pode ignorar completamente o aprendizado. A evolução é uma série contínua de experimentos - alguns bem-sucedidos, outros não - que só são possíveis em um ambiente onde as pessoas sejam livres para pensar por si mesmas, motivadas, envolvidas no trabalho em equipe e capazes de acessar o conhecimento de que precisam quando precisam.

Esse é o único caminho para a inovação e, em certas ocasiões, a sobrevivência.

O AUTOR

Boaz Tamir é o fundador e presidente da Israel Lean Enterprise. Ele tem uma vasta experiência em empreendedorismo, processos de turnaround, gestão de empresas e pesquisa acadêmica e contribuiu com seu conhecimento para o desenvolvimento e a comercialização de algumas das maiores e mais bem-sucedidas organizações em Israel. Tamir é sócio-fundador e gerente do Montefiore Partners Venture Capital Fund e também atuou como fundador e diretor do Grupo Romold. Ele possui Ph.D. em Ciência Política e Gestão pelo MIT.

Fonte: Planet Lean


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