Uma força de trabalho extremamente engajada e um compromisso em melhorar o cuidado com o paciente fez do Consorci Sanitari del Garraf um ótimo exemplo de uma área da saúde lean


Saúde
Dan Jones e Roberto Priolo - 03/11/2015


ESTUDO DE CASO EM VÍDEO – Nos últimos anos, o Consorci Sanitari del Garraf foi capaz de influenciar o compromisso de seu pessoal em fazer uma virada lean. Sua história mostra que não precisamos de muitos recursos e dinheiro para aplicar o lean em um hospital.

Em 2009, três unidades médicas da comarca del Garraf, próxima a Barcelona, se uniram em uma organização, o Consorci Sanitari del Garraf. Enfrentando um corte no orçamento de 17%, resultado da crise financeira, o hospital recém criado teve de encontrar uma forma para melhorar seus processos e se tornar mais eficiente.


Em apenas um ano, o pensamento lean levou a uma revolução na forma como o hospital é administrado. Os vídeos deste estudo de caso mostrarão a transformação do CSG e provarão como um hospital não precisa, necessariamente, de muitos recursos (e dinheiro) extras para “aplicar o lean”.

Mas, primeiro, com o que lean se parece em um hospital? De acordo com o professor Dan Jones, lean na área da saúde significa:

• Melhorar a qualidade do cuidado e a experiência do paciente.

• Simplificar as tarefas para os profissionais da assistência.

• Utilizar melhor os recursos (equipamentos, leitos, enfermeiras e médicos etc.) para que se possa tratar cada vez mais pacientes com os recursos disponíveis.

Transformar um hospital (ou qualquer organização) e torná-lo uma empresa lean requer a melhoria contínua do trabalho, o desenvolvimento de pessoas, o compromisso total e o envolvimento entusiasmado da liderança.

MELHORIA DO PROCESSO

Então como o CSG mudou seus processos a fim de fornecer um cuidado melhor com a mesma quantidade de recursos?

Os primeiros experimentos com lean aconteceram no departamento de cirurgias, que se voluntariou para testar a nova abordagem.

Antes dos cortes no orçamento, o departamento estava realizando cirurgias no período da tarde para absorver a longa lista de espera. Após os cortes, entretanto, isso não era mais permitido (as salas cirúrgicas só podiam ser utilizadas no período da manhã), e a equipe teve de encontrar uma forma para realizar o maior número possível de procedimentos no período da manhã.

Este pequeno vídeo (em espanhol/inglês) explica o que aconteceu no centro cirúrgico quando o lean foi introduzido.


Os resultados alcançados no centro cirúrgico encorajaram outras áreas do hospital a participar, e, não muito depois, as melhorias lean se espalharam para a UTI e o pronto atendimento.

O maior número de cirurgias resultou em uma necessidade por espaço adicional na UTI. A organização teve de se tornar mais rápida em retirar os pacientes do centro cirurgico e encaminhá-los para a UTI, que sempre estava lotada. Foi necessário acelerar o processo de alta.

O objetivo (que o CSG teve por certo tempo) era dar alta para o máximo possível de pacientes antes do meio-dia. Para atingi-lo, o hospital reorganizou por completo seu sistema de trabalho na UTI, introduzindo novos padrões para enfermeiros e médicos.

Dessa forma, conseguiram restabelecer o fluxo de pacientes, tanto daqueles que chegam do pronto atendimento quanto aqueles que vêm do centro cirúrgico.

O vídeo a seguir (em espanhol/inglês) explica algumas das mudanças implementadas na UTI e no pronto atendimento:


DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS

Nenhuma transformação lean pode ter sucesso sem o envolvimento das pessoas que fazem o trabalho. No Garraf, a força de trabalho está extremamente engajada em melhorar o cuidado ao paciente, o que significa que será muito mais fácil para o hospital sustentar os resultados.

No vídeo a seguir (em espanhol/inglês), olhamos para o desenvolvimento do pessoal no Consorci, que começou com a criação de uma equipe de implementação lean e com o projeto de cursos de treinamento feitos sob medida para ajudar as pessoas a entenderem o que é lean e por que ele pode tornar melhor a vida de todos.


É a forma de administrar que mudou completamente. A alta administração agora escuta as pessoas, encoraja-as a encontrarem soluções para os problemas e promoverem melhorias.

No vídeo a seguir (em espanhol/inglês), o Planet Lean fala com dois membros da alta administração do hospital, o diretor médico e o diretor adjunto de enfermagem.


QUAL ERA O PAPEL DA LIDERANÇA?

O papel da liderança em uma transformação lean é apoiar e permitir à linha de frente solucionar seus próprios problemas. No CSG, o CEO, Josep Lluís Ibáñez Pardos, já tinha experiência com programas lean liderados por consultores em outros hospitais e, quando enfrentou o corte no orçamento de 17%, estava determinado a criar uma solução duradoura em seu hospital. Ele queria ajudar, mentorar e apoiar seu pessoal (junto com o Instituto Lean Management) para que pudessem liderar a mudança. Dessa forma, a equipe do Garraf seria dona dos resultados de seu trabalho duro e seria capaz de sustentá-los.

Ibáñez Pardos comentou: “nosso foco estava na transformação cultural, não em economias no curto prazo. Em tempo, conseguimos fazer do lean parte do mecanismo do CSG, parte de seu DNA, concentrando no negócio principal: a qualidade do cuidado e em sermos bons médicos e enfermeiras”.

“Meu papel como CEO é apoiar as pessoas e estar disponível sempre que um problema surgir. É minha responsabilidade, afinal de contas, criar um sentimento de necessidade de mudança e encorajar toda a organização a abraçar o lean. A fim de fazer isso, um CEO precisa estar completamente comprometido e convencido – caso contrário, chamar os outros a bordo será impossível”.

O QUE O HOSPITAL ALCANÇOU?

O CSG conseguiu alcançar ótimos resultados em muitos departamentos, incluindo tempos de espera menores, um maior número de altas e um departamento de cirurgias mais eficiente.

Entretanto, como diretora de qualidade Rosa Simón Pérez diz no vídeo a seguir (em espanhol/inglês), a maior mudança era o fato de as pessoas terem aprendido o que significava trabalho em equipe.

Mais detalhes sobre os resultados que o hospital alcançou no último vídeo deste estudo de caso (em espanhol/inglês):


Este estudo de caso mostra como hospitais pequenos e médios não precisam, necessariamente, de muito dinheiro e recursos extras para aplicar o pensamento lean. Com os mentores certos e a abordagem certa para o engajamento do pessoal, eles podem fazer sozinhos.

Fonte: Planet Lean.


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