Cultura e Liderança
Cultura e Liderança

Deixe seu ego na porta



Jim Morgan

Começou com um bilhete simples escrito à mão que recebi uma tarde no correio corporativo. Alan Mulally tinha acabado de sair da Boeing para assumir as posições de Presidente e CEO da Ford durante um período difícil da história da montadora de veículos. O bilhete despretensioso do Alan sugerindo que nos reuníssemos foi o começo de um relacionamento de sete anos durante o qual aprendi muitas coisas com ele, como a importância de informar o contexto às pessoas, de sempre trabalhar em um plano melhor e a “mágica” de trabalhar junto. Mas nenhuma dessas lições foi mais importante do que ver, de primeira mão, como ele abordava seu papel de líder na companhia no dia-a-dia. Ele abordava a liderança com uma humildade autêntica e um respeito profundo e afeição pelos outros. Não era nunca sobre ele – sempre sobre a Ford. E isso nunca mudou, no ponto mais crítico de nossa crise corporativa ou mais tarde quando a companhia se tornava mais bem sucedida, e Alan se tornou uma estrela como CEO. Essa abordagem permitiu a Alan trabalhar com as pessoas de uma maneira poderosa que o permitiu liderar a Ford em uma das mais dramáticas reviravoltas da história do negócio.

E, após trabalhar para Alan por um tempo, percebi que já havia visto essa abordagem antes. Lembrei de quando andava pela porta do East West (recentemente renomeado para Kaizen Brazilian JiuJitsu) e vi a placa “Deixe seu ego na porta” pendurada acima da área de treinamento. Logo descobri que, assim como o Alan, os melhores lutadores eram humildes. Isso não era só verdade em minha experiência pessoal com Kaizen, Sam Sheridan, em seu livro “A Fighters Heart”, ouvia a mesma mensagem quando entrevistava os melhores lutadores do mundo; “humildade era o atributo mais importante para um grande lutador”. De certo modo, é a natureza do BJJ (Brazilian Jiu Jitsu) que lhe mantém humilde. O BJJ não é uma “arte baseada no Kata” (sequência coreografada de movimentos sem resistência) onde os participantes raramente testam uns aos outros fisicamente. Em vez disso, o BJJ baseia-se no que ocorre na realidade. Não há ambiguidade ou racionalização – “você perdeu, lide com isso”. Isso acaba com as ilusões e força o autoexame crítico necessário à melhoria. Mas a maior razão para os lutadores colocarem seu ego de lado é porque ele inibe seu progresso. Eles trabalham mais duro do que qualquer outro, sempre procuram falhas em sua luta e sempre ultrapassam seus limites. Um ego muito grande atrapalha seus esforços, não os deixam tentar novas coisas, abrir a mente e crescer. O ego lhe torna complacente e gordo e lhe deixa com medo de arriscar-se. Você fica preso.

Mas não cometa o erro de confundir humildade com fraqueza. Os melhores lutadores têm uma ferocidade interna e focos que desmentem sua aparência calma; um caminho sem desculpas para fazer o que precisar. Igualmente, com seu sorriso e sua atitude sincera de “honra em servir”, o observador casual pode ser perdoado por perder a determinação estoica e a incrível ética de trabalho que tornou Alan um dos líderes mais bem sucedidos de hoje em dia.

Muitos anos de experiência me ensinaram que a liderança do Jiu Jitsu Brasileiro pode ser aprendida e que suas habilidades podem ser continuamente melhoradas. Mas, como a maioria das habilidades tácitas e difíceis, você só pode aprender fazendo, e seus esforços serão recompensados se você trabalhar com ótimos mentores para guiá-lo em sua jornada. Pessoas que realmente fizeram isso. Durante minha carreira, tive a sorte de ter mentores excepcionais, aos quais devo muito, aos quais nunca serei capaz de pagar minha dívida. A oportunidade de trabalhar com Alan era algo particularmente especial. Então, se você realmente quer estar entre os melhores, você talvez considere deixar seu ego na porta.


Publicado em 08/08/2014

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