Lean Institute Brasil
O Lean Institute Brasil (LIB) foi o segundo instituto a ser constituído no mundo para disseminar o sistema lean, seguindo o exemplo do instituto norte-americano, o Lean Enterprise Institute (LEI), fundado em 1997 por James Womack.
Naquela época, as empresas brasileiras tinham pouco conhecimento sobre os conceitos e as ferramentas do sistema lean, inspirado na Toyota. Apenas um grupo muito restrito tentava implementar algumas das ferramentas, mas de forma isolada e pontual.
O LIB foi, então, concebido com o propósito de disseminar a filosofia e o sistema lean de gestão de forma pública e prática, de modo a contribuir para a efetiva transformação das empresas.
A inspiração e a motivação para a criação do LIB vieram do reconhecimento da defasagem tecnológica e organizacional da indústria brasileira, a começar pela automobilística, e também da necessidade de gerar e disseminar conhecimento sobre o sistema lean, sabidamente superior aos sistemas tradicionais de produção e gestão.
De 1988 a 1990, tive a oportunidade de participar, como representante brasileiro, do projeto de pesquisa do International Motor Vehicle Program (IMVP) do Massachusetts Institute of Technology (MIT). James Womack era
o então coordenador de pesquisa. Trabalhamos juntos durante esse período, quando realizamos projetos de investigação sobre a indústria automobilística brasileira.
Nesse projeto de pesquisa, fomos, aos poucos, conhecendo melhor a dinâmica da competição nessa complexa indústria e participando do excitante processo de descoberta da superioridade do Sistema Toyota frente aos sistemas de produção em massa das outras montadoras. O livro que sumarizou os resultados da pesquisa em 1990, intitulado "A Máquina que Mudou o Mundo", teve um enorme impacto. Nessa obra, o termo "lean" foi cunhado para caracterizar o Sistema Toyota.
Na época, James Womack e eu trabalhávamos na fase seguinte do IMVP-MIT, atuávamos em instituições de ensino superior e também realizávamos alguns trabalhos de consultoria, tentando apoiar as empresas, principalmente do setor automotivo, a melhorarem seu desempenho.
Em 1992, tive a oportunidade de trabalhar como consultor da Câmara Setorial da Indústria Automobilística, um arranjo tripartite (governo, empresas e sindicatos de trabalhadores), iniciativa inovadora que definiu novas políticas para o setor e que estimulou o crescimento e aumento de sua competitividade.
Embora o arranjo institucional e as estratégias derivadas tenham sido bem-sucedidos, havia nas empresas oportunidades significativas de melhorias, pois elas estavam muito distantes dos padrões lean da Toyota.
Havia um completo desconhecimento dos princípios e práticas do sistema lean, não havia método de trabalho. Algumas ferramentas eram conhecidas, como
o kanban e o andon, por exemplo, mas não se tinha uma visão do todo e o entendimento da filosofia que embasa a prática. Embora a Toyota estivesse no Brasil desde a década de 50, os baixos volumes, aliados
à produção de um modelo antiquado, tornara-a invisível aos olhos menos treinados durante décadas.
Em maio de 1998, James Womack veio ao Brasil pela primeira vez para promover o lançamento do seu novo livro "Lean Thinking"
- traduzido para o português como "A Mentalidade Enxuta nas Empresas" -, que ampliava as ideias, conceitos e práticas da Toyota, levando-os a outro patamar. Naquela oportunidade, visitamos algumas empresas e organizamos o primeiro "Lean Summit" para cerca de 100 participantes. Ao final de uma semana, fizemos uma avaliação conjunta e concluímos que o conhecimento sobre lean era praticamente inexistente no país.
Concordamos, então, que parte de nossa missão seria ampliar o conhecimento sobre o sistema lean. Em seguida, tive a oportunidade de conhecer John Shook, ex-gerente da Toyota.
Naquele momento, John estava escrevendo um manual que apresentava uma ferramenta até então pouco conhecida fora da Toyota,
o mapeamento do fluxo de materiais e de informações. Algum tempo depois, foi lançado o "Learning to See" ("Aprendendo a Enxergar").
Após alguns meses, realizamos um workshop prático sobre o quê, mais tarde, foi chamado de "Value Stream Mapping" ("Mapeamento do Fluxo de Valor"), nas instalações da Delphi, em Piracicaba - São Paulo, com a participação de algumas empresas convidadas. Ao final desse evento, consultei os participantes sobre o interesse em criarmos um
instituto no Brasil, semelhante ao que James Womack havia fundado um ano antes nos EUA.
Ao receber uma entusiasmada concordância de todos, decidimos seguir em frente e, assim, em novembro de 1998, constituímos legalmente o LIB, como uma entidade sem fins lucrativos com o propósito de disseminar a filosofia lean no país.
José Roberto Ferro.
Presidente e Fundador do Lean Institute Brasil.