Minha
mais recente viagem internacional, em fevereiro e março, para
apoiar a criação da nossa rede global de praticantes
e difusores da filosofia, me levou para a Ásia (China
e Japão) e Austrália. Nesta oportunidade,
vou tratar mais especificamente das experiências e
impressões que tive no Japão.
A
Toyota parece estar novamente "na moda". Embora
seja considerada uma empresa conservadora, com produtos
que não são capazes de excitar os japoneses
que estão em busca da última inovação
em tecnologia e "fashion", os bons resultados
financeiros da empresa, mesmo frente à recessão
no Japão, que dura mais de 10 anos, mostram a existência
de um poderoso modelo de negócios.
A
visão de que o TPS (Toyota Production System) e a
busca de eficiência operacional constituíam
um conjunto de práticas conhecidas e antigas está
gradualmente sendo substituída pela noção
de que trata-se de algo em constante evolução
e permanente melhoria. A solidez financeira da empresa,
ano após ano, acumulando sucessos impressionantes,
é o principal parâmetro que atrai a atenção
das outras empresas japonesas. Tem sido, de longe, a empresa
com os maiores lucros no Japão: reportou lucros líquidos
de US$ 8.1 bilhões em 2002.
Uma
dessas empresas japonesas bem sucedidas que tem olhado com
muito mais atenção para os conceitos desenvolvidos
pela Toyota é a SONY. Em fevereiro, ocorreu a cerimônia
de estabelecimento do Sony-Nakamura Management Institute,
cujo intuito é sistematizar a difusão do Sistema
Toyota para a empresa. James Womack, fundador e presidente
do Lean Enterprise Institute e Takahiro Fujimoto, professor
da Universidade de Tokyo, fizeram as palestras inaugurais.
Fujimoto é autor do livro "The Evolution of
a Manufacturing System at Toyota" (Oxford University
Press, 1999), que recebeu o "Imperial Prize" em
junho de 2002 como o melhor livro do ano.
Com
essa iniciativa, a Sony pretende combinar o sucesso da inovação
em produtos com a força do enfoque em processos e
na melhoria continua ao estilo Toyota, trazendo esses elementos
para dentro de suas plantas e escritórios.
Isso
não é novidade. Desde o inicio dos anos 90,
a empresa abandonou as tradicionais linhas de montagem,
substituindo-as por células baseadas em trabalho
manual. Percebera que a automação exige muito
investimento para produtos cujos ciclos de vida são
cada vez menores e a demanda por maior variedade é
continuamente crescente. A manufatura celular seria útil
tanto para a fabricação de lotes pequenos
de múltiplos produtos, como para a produção
em massa de um único produto.
Essas
células de montagem baseadas no trabalho manual,
ou como eles próprios dizem, "Toyota light",
porque não chega nos níveis de detalhe e padronização
encontradas nas células da Toyota, têm sido
a base dos sistemas de montagem final da Sony.
Numa
fábrica em Minokamo City (imediações
de Nagoya), que produz vídeo câmaras, câmaras
digitais, vídeo games, fone celular e outros produtos,
houve a eliminação das linhas e esteiras de
montagem, substituídas completamente por células
em 1997. Alguns dos ganhos foram: