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O Japão redescobre a Toyota
Publicado: abr/2003

Minha mais recente viagem internacional, em fevereiro e março, para apoiar a criação da nossa rede global de praticantes e difusores da filosofia, me levou para a Ásia (China e Japão) e Austrália. Nesta oportunidade, vou tratar mais especificamente das experiências e impressões que tive no Japão.

A Toyota parece estar novamente "na moda". Embora seja considerada uma empresa conservadora, com produtos que não são capazes de excitar os japoneses que estão em busca da última inovação em tecnologia e "fashion", os bons resultados financeiros da empresa, mesmo frente à recessão no Japão, que dura mais de 10 anos, mostram a existência de um poderoso modelo de negócios.

A visão de que o TPS (Toyota Production System) e a busca de eficiência operacional constituíam um conjunto de práticas conhecidas e antigas está gradualmente sendo substituída pela noção de que trata-se de algo em constante evolução e permanente melhoria. A solidez financeira da empresa, ano após ano, acumulando sucessos impressionantes, é o principal parâmetro que atrai a atenção das outras empresas japonesas. Tem sido, de longe, a empresa com os maiores lucros no Japão: reportou lucros líquidos de US$ 8.1 bilhões em 2002.

Uma dessas empresas japonesas bem sucedidas que tem olhado com muito mais atenção para os conceitos desenvolvidos pela Toyota é a SONY. Em fevereiro, ocorreu a cerimônia de estabelecimento do Sony-Nakamura Management Institute, cujo intuito é sistematizar a difusão do Sistema Toyota para a empresa. James Womack, fundador e presidente do Lean Enterprise Institute e Takahiro Fujimoto, professor da Universidade de Tokyo, fizeram as palestras inaugurais. Fujimoto é autor do livro "The Evolution of a Manufacturing System at Toyota" (Oxford University Press, 1999), que recebeu o "Imperial Prize" em junho de 2002 como o melhor livro do ano.

Com essa iniciativa, a Sony pretende combinar o sucesso da inovação em produtos com a força do enfoque em processos e na melhoria continua ao estilo Toyota, trazendo esses elementos para dentro de suas plantas e escritórios.

Isso não é novidade. Desde o inicio dos anos 90, a empresa abandonou as tradicionais linhas de montagem, substituindo-as por células baseadas em trabalho manual. Percebera que a automação exige muito investimento para produtos cujos ciclos de vida são cada vez menores e a demanda por maior variedade é continuamente crescente. A manufatura celular seria útil tanto para a fabricação de lotes pequenos de múltiplos produtos, como para a produção em massa de um único produto.

Essas células de montagem baseadas no trabalho manual, ou como eles próprios dizem, "Toyota light", porque não chega nos níveis de detalhe e padronização encontradas nas células da Toyota, têm sido a base dos sistemas de montagem final da Sony.

Numa fábrica em Minokamo City (imediações de Nagoya), que produz vídeo câmaras, câmaras digitais, vídeo games, fone celular e outros produtos, houve a eliminação das linhas e esteiras de montagem, substituídas completamente por células em 1997. Alguns dos ganhos foram:


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