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Sistema de Negócios Lean: o caso Scion da Toyota
Publicado: nov/2003

Desde o livro Mentalidade Enxuta, Womack e Jones já enfatizavama necessidade de compreendermos o Sistema Lean como uma filosofia e práticas para a organização total das empresas. O primeiro princípio lean, "especificação do valor" segundo a ótica dos clientes, deve ser o ponto de partida para a formulação de um sistema de negócio.

Esse princípio é muito bem exemplificado através do lançamento da nova linha de produtos Scion da Toyota (empresa referência dos princípios lean) para o mercado norte-americano. Este exemplo enfatiza a relevância do processo de desenvolvimento de novos produtos, marcas e conceitos de agregação de valor, ou segundo Allen Ward, "o desenvolvimento de fluxos de valor rentáveis".

O problema
A Toyota estava com pouca penetração entre o público jovem nos EUA. Seus produtos garantiam elevada satisfação aos clientes conservadores, que queriam um veiculo com alta qualidade, elevado valor de revenda etc, mas não atingiam o público mais jovem na aquisição de seu primeiro carro. Então, o problema era como se conectar com um nicho de mercado crescente e novo.

A solução
Criar uma nova linha de produtos chamada Scion, especialmente orientada para esse segmento de mercado de modo a trazer clientes jovens para a Toyota e mantê-los leais e fieis à marca. Além da tradicional qualidade e confiabilidade, o produto deveria trazer emoção, surpresa e individualidade a um preço adequado, na faixa de US$ 15.000,00 a US$ 20.000,00.

Como isso está sendo feito?
Focalizando em uma área geográfica piloto (Califórnia) no ano de 2003 e iniciando as vendas mais amplamente em todo o território dos EUA em 2004, a solução envolveu várias dimensões.
Inicialmente, foi desenvolvido um produto com novo design: lançado em duas versões, os produtos têm características que, em tese, apelam ao gosto dos jovens, com estilo provocativo e apelativo, principalmente aos mais radicais e definidores de tendências. Os veículos apresentam detalhes mecânicos e de interior concebidos com base em sistemáticos estudos de apreciação e de uso que esses jovens fazem dos automóveis. Além disso, o carro apresenta inovações que facilitam a reciclagem de materiais.

A primeira impressão de "mas que carros feios" de um público maduro foi substituída por uma avaliação de "mas que carro legal!" pelos jovens que viram os primeiros modelos rodando nas estradas e avenidas da California.

Em seguida, pensou-se em um novo sistema de distribuição. No lugar de montar um novo e caro sistema (como foi no caso do Lexus, a marca de luxo da Toyota), procurou-se aproveitar a atual rede de concessionárias e criar um espaço especial onde os jovens se sentissem melhor (cores, decoração, música, elevada interatividade, postura não agressiva dos vendedores etc). Lá, os jovens têm quiosques onde podem criar um modelo virtual com os opcionais de sua preferência. A Internet também foi utilizada por se tratar de uma ferramenta de venda importante. O site foi projetado para ser interativo e cheio de surpresas.

Os veículos chegam do Japão com muito pouca variedade (cor e câmbio) no porto de Long Beach na California, onde é mantido um estoque de 15 dias. Em uma área adjacente ao porto são instaladas sob encomenda 40 opções de acessórios, escolhidos pelos clientes nos concessionários, nos quais nenhum estoque é mantido além dos veículos de demonstração. Os acessórios são instalados, com garantia de fábrica, por um único operador em aproximadamente 6 horas. O consumidor recebe o veículo "customizado" em 1 semana, no lugar de comprar um carro de estoque e depois ter que acrescentar os acessórios de sua preferência. Fica evidente o conhecido conceito da Toyota de "deixar a variedade o mais próximo possível do consumidor final", integrado na concepção do produto, manufatura e distribuição.

O piloto tem sido um sucesso. Era prevista inicialmente a venda de 30.000 unidades para 2004, mas que, com o sucesso inicial, foi atualizada para 45.000. Cerca de 70% dos compradores são novos consumidores da Toyota e estão dentro dos intervalos de idade esperados (entre 25 e 35 anos).

Mas, há algumas dúvidas sobre o futuro da linha de produtos. Esse consumidor jovem será fiel à marca Toyota após alguns anos de uso do Scion? Como prever o ciclo de vida desses produtos?

A Toyota tem obtido extraordinário sucesso no lançamento de novos veículos ao longo de sua história. Tanto é que assumiu, nesse último trimestre, a segunda posição em vendas globais, ultrapassando a Ford. Mas, atingir o público jovem tem sido um dos insucessos da empresa até agora. Essa será a oportunidade de verificar, mais uma vez, suas ações e testar a eficácia do poderoso Sistema de Negócios da empresa, o "Toyota Way".


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