Cuidados na escolha de fornecedores

Enxuga aí
José Roberto Ferro - 07/12/2016

Empresas precisam conhecer com profundidade os parceiros, para saber o que estão comprando e pagando

Poucas equipes esportivas no futebol brasileiro têm sido consideradas tão bem-sucedidas em sua gestão como a Chapecoense. A tragédia da semana passada, que atraiu a atenção de todo o mundo e carregou de emoção o país todo, pode ser abordada a partir de um ângulo gerencial distinto do que tem sido feito até agora.

O clube tem sido gerenciado por empresários da cidade de Chapecó com uma postura de relativa transparência, cautela na gestão de custos e profissionalismo, pouco usual no esporte brasileiro. Além de muita dedicação, paixão e esforço de seus dirigentes.

O impacto e a comoção da queda do avião da equipe trouxeram muita discussão sobre os erros que teriam sido cometidos pela empresa aérea proprietária e até por autoridades bolivianas.

Enquanto não se identificam com clareza e rigor as causas do acidente, vamos abordar um tema fundamental no mundo dos negócios, central nesse caso, que é a escolha de fornecedores.

Vejamos alguns fatos concretos. O clube tinha uma necessidade de fazer um voo de São Paulo a Medellín, na Colômbia, onde disputaria a final do importante campeonato.

O ideal talvez fosse ter um voo fretado direto de São Paulo a Medellín. Não há voos comerciais diretos. Isso pouparia os jogadores, possibilitaria um descanso adequado, uma melhor adaptação ao fuso horário e à altitude. Ajudaria, assim, a criar condições para o bom desempenho da equipe. Mas também significaria um importante custo para o clube.

A decisão tomada foi fazer um voo comercial até Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, com espera de várias horas, troca de avião e de empresa, e de lá com voo fretado para Medellín, com a diminuta empresa boliviana que acabou ganhando as manchetes. As consequências tristes todos sabemos.

O fornecedor do voo fretado foi uma empresa aérea com pouca capacitação em um avião com limitada autonomia para o trecho definido.

A busca incessante de fornecedores com menor preço parece ser cada vez mais a norma e obsessão nas empresas. Espremer fornecedores, manter relações de curto prazo, o que significa trocar quando necessário, mostra que, para a maioria das empresas, o fornecedor é um custo a ser minimizado.

Para uma equipe de futebol em um país continental, a logística para seus jogadores é um valor para o negócio. As opções de menor custo deveriam ser superadas por opções que entendam que o conforto dos jogadores é essencial para o sucesso do negócio. E que alternativas poderiam ser pensadas para minimizar os custos ao mesmo tempo em que se maximiza o valor.

As empresas precisam conhecer com profundidade os processos de seus fornecedores para saber o que estão comprando e pagando, assim como para poder identificar as oportunidades de melhoria para ambas as partes. E também para conhecer as ameaças e os riscos associados.

Assim, a escolha de fornecedores é um processo vital para todas as empresas. Elas devem decidir se acreditam que os fornecedores agregam valor a seus produtos ou então se são um custo a ser minimizado.

Essa definição vai levar a escolhas e a formas de relacionamento com os fornecedores muito distintas. Cada uma terá consequências dramaticamente diferentes. Às vezes pode causar tragédias.

Fonte: Revista Época Negócios



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