Entenda como a “dispersão” prejudica o desenvolvimento de produtos

Enxuga aí
José Roberto Ferro - 02/12/2016

Por não saberem lidar com o conhecimento interno, muitas empresas geram produtos que não atendem exatamente à demanda de seus clientes

Saber gerar mais conhecimentos relevantes para os clientes e para os negócios e saber utilizá-los adequadamente nas várias áreas da empresa é um dos maiores desafios estratégicos destes tempos.

Isso ocorre, por exemplo, em processos de desenvolvimento de produtos. Trata-se de uma das atividades mais relevantes para as organizações, que precisam lançar novos produtos e, assim, atender e fidelizar clientes, que, cada vez mais, estão buscando produtos melhores, mais baratos e com mais conteúdo e inovações.

Mas as companhias, por não saberem lidar com a informação e com o conhecimento gerado internamente, acabam, muitas vezes, gerando produtos que não atendem exatamente à demanda de seus clientes. Isso sem falar em processos de desenvolvimentos custosos, demorados e recheados de desperdícios.

Um dos desperdícios mais relevantes é o da dispersão.

Muitas empresas estão implementando a todo momento uma nova “filosofia” ou um novo programa. Acreditam que “mudar por mudar” é necessário, pois, afinal, vivemos na “era das mudanças”.

Essas companhias que promovem mudanças demasiadamente frequentes, muitas vezes sem foco e propósito claros, mas impensadas e inconsequentes, perdem conhecimentos e aprendizados importantes, que tinham sido adquiridos muitas vezes a um alto preço e esforço.

Assim, a “curva de aprendizagem” reinicia-se dentro da organização, perdendo, ou melhor, desperdiçando experiência e conhecimento. O foco e o propósito mudam, perdem a continuidade, a estabilidade e a capacidade de gerar aprendizados relevantes.

Pior ainda parece ser o caso das empresas que têm múltiplas iniciativas desse tipo em paralelo, sendo às vezes contraditórias.

Por exemplo, uma empresa tentou implementar uma política de qualidade que enfatizava o zero defeito. Nesse caso, falar de retrabalho era proibido, e os erros eram punidos e, portanto, ficavam escondidos.

Ao mesmo tempo, essa empresa estava implementando uma iniciativa lean (enxuta), na qual, conceitualmente, os problemas são esperados. Por melhor que seja o processo de planejamento, por mais cuidadosas e profundas que sejam as análises, assume-se que é aceitável ter problemas, mas não é aceitável não os resolver. Estimula-se, assim, um ambiente de experimentação, de tentar coisas novas e, portanto, de errar. Desse modo, duas orientações conflitantes podem criar paralisias e confusões.

Outra fonte de dispersão são as constantes reorganizações que as empresas fazem. Muitas vezes, para resolver problemas complexos, as companhias buscam mudanças no organograma ou nas pessoas, ora trazendo indivíduos de fora, ora com fusões e aquisições. Isso não apenas deixam intactos os problemas, por não permitir uma análise mais profunda, como, ainda pior, tumultuam e paralisam as atividades.

A estratégia de crescimento e expansão da organização, assim como as mudanças importantes, são mais eficazes quando concebidas para não tumultuar tanto e paralisar iniciativas. Mudanças mais suaves e orgânicas em um ambiente que estimule as melhorias permanentes tendem a ser mais eficazes.

Outra fonte de dispersão é um dos mitos atuais mais presentes nas empresas, que é a crença de que, para estimular a inovação, é necessário criar uma área específica: gerência ou diretoria de inovação. Assim, a inovação torna-se separada dos processos atuais, como uma nova área quase externa à companhia e desintegrada dos negócios, perdendo oportunidades de capturar conhecimentos e aprendizados já existentes.

Ou ainda a busca pela criação de startups externas para resolver os problemas internos de perda de capacidade criativa e inovadora, novamente com pouca conexão com o conhecimento existente.

Acreditamos que a empresa inovadora precisa criar um ambiente propício à experimentação e ao pensamento científico em todos os colaboradores e em todas as atividades que a companhia faça. Assim, ela torna-se uma organização que estimula o aprendizado permanente em tudo o que é feito, inclusive no desenvolvimento de novos produtos, quando for o caso, inovadores.

Nesta época em que lançar e desenvolver novos conhecimentos e novos produtos rapidamente é fator vital de sobrevivência, a dispersão pode gerar efeito contrário, transformando uma possível “inovação” numa perda de tempo e em esforços que não ajudam a empresa a prosperar.

Fonte: Revista Época Negócios



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